domingo, 5 de junio de 2011
SOTAQUE: UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO DESCONHECIDO
Quando se chega num país estrangeiro todos os sotaques se parecem. Com pouco conhecimento, as diferenças sao imperciptíveis. Somente se diferenciam sotaques mais extremos (argentino, andalus e o clássico dos meios públicos de comunicaçao, rádio e televisao). Com os anos se pode diferenciar até cidades ou bairros específicos (Bonfa da Porto Alegre, a Mocca de Sao Paulo, etc). Nao há riqueza maior num idioma que a sua variaçao e significa que o povo local adaptou o idioma de acordo as suas conveçoes de origem e facilidade...Qual o gaúcho que nunca escutou o 'botemo e nao recuemo', sem a pluralidade típica da origem italiana? Ou o português com 'chiado' carioca, com a esse soando a xis? Ou o paulistano picaresco, 'Porra meu'? Na europa o dialecto estabelece até conflitos pelo nome do idioma, como o Valenciano e o Catalao, que embora se escrevem iguais, muitos o consideram distintos. No Brasil ainda o sotaque é considerado um estigma cultural e deve provavelmente aos efeitos da media que atende todo o país de uma maneira normatizada.Sempre achei curioso as mudanças do português nos telejornais (globo rio, globo sao paulo e RBS portolegre e por fim rbs Santa Maria). Há por outro lado,curiosamente uma tendência a mudar o sotaque de imediato, dependendo a regiao ou pessoa com a qual se conversa. E o mais curioso que sempre quando alguem fala um idioma distinto do nosso, consideramos 'cantado' no que isso signifique. Esse falar cantado, é común às pessoas que desconhecem os idiomas e as diferenças dialectais de um idioma. Um idioma é algo orgânico e sempre será fagocitado ao nosso prazer, sem normas rígidas e como o melhor meio de comunicaçao já inventado..Viva à diferença!!!!
sábado, 4 de junio de 2011
15 M OU MOVIMENTO ALTERNATA OKUPA

Hoje passei pela primeira vez dentro do movimento Democracia Ya em Barcelona. Realmente se percebe que a diferença entre os movimentos que saem na tele ou jornais nao se parecem a nada com a realidade. Muitos pensadores, escritores, jornalistas, insistem na profundidade do movimento, nas suas idéias, no ideal democrático. Alguns comparam ao maio de 68, outros ao movimento da praça Tarik, mas poucos realmente estao na área ou foram vê-la. Outro dia até um jornalista da Folha de Sao Paulo, relacionava com a eleiçao na Itália e dizia erradamente que o movimento surgiu em Portugal. Hoje o movimento nao tem a mesma aparència que a Plaza del Sol de Madrid. A maioria tem um perfil okupa (calça indianas, cabelo rastafari, barbilha, e outras coisas imagináveis) e sabemos que aparte dos ideais culturais ou políticos, há um claro ideal de ocupaçao e anarquia. Assim que nao creio que a democracia seja a meta básica, mas sim uma utopia mais de direitos de igualdade. Mas claro, ainda é cedo para ver...
Dart Vaider dos imigrantes em Badalona...
Barcelona todo mundo conhece. Olimpíadas, Barça, Gaudi,Ramblas, etc etc. É impossível nunca ter ouvido falar algo dessa cidade. É a capital européia do sul, da modernidade e turismo. Badalona, por outro lado, é uma desconhecida,quase ninguém a conhece. É uma cidade dormitório de Barcelona, com os seus 400 mil habitantes, formada pelos migrantes sulistas (Andaluzes, extremeños) ou nortistas (Galegos). Hoje Badalona tem como prefeito Albiol. Um gigante de uns dois metros, moreno cor de cuia, que soflama dardos contra os imigrantes. Começou com folhetos 'explicativos' contra os rumenos e depois contagiou com os demais (de fora) contra o seu direito de viver e habitar (um direito universal já esquecido em épocas de crise). A razao da sua eleiçao pode ser muitas: preconceito, medo ao estranjeiro, pobreza dos autócnos, um salvame quem poda. Nao sei. O que sim vejo é o que vía há dez anos atrás quando cheguei em España, ficando 10 dias em Badalona: 'Algo podre cheira no reino da Dinamarca'....
O poder da compra...
Hoje estamos acostumados a ir de compras. É quase impossível, mesmo para os homens, evitar ir de compras. A razao: hoje comprar faz parte de um ócio mais, é lazer. se vamos às lojas de roupas femininas (a maioria) ou unisex ( as masculinas, sabiamente já nao existem),nos impacta a força promocional das mesmas. Música moderna, designers coloridos e atendentes vestidos em estilos modernos e creativos. Os espaços sao outra parte da lógica. Se parecem mais a museus modernos (às vezes mais bonitos e mais estilizados), mas sem a necessidade de pensar na obra ou autor, pelo simples motivo que já ninguém se importa com quem fez, importa a marca de representaçao (DOLCI GABBANA, HUGO BOSS, ZARA, SPRIENGFELD, ETC) valam mais que os desenhistas dos mesmos. Por certo somente sabemos que sao os desenhistas quando sao despedidos ou contratados. Depois o seu simbolismo cai dentro da marca, se tornam impessoais. Também os shoppings centers cubrem uma funçao lúdica, possuem lugares específicos para o lazer infantil, eventos (a grande jogada promocional) recidivantes e com pessoas famosas ou reconhecidas e controle climático (nos dá prazer ter ar condicionado, enquanto fora se morre de frio ou calor...Com essas qualidades, comprar hoje já faz parte da cultura do ócio, da cultura dos ociosos...
DIREITOS HUMANOS BÁSICOS...
Quais sao os direitos universais básicos que se devem cumprir em todos os países? Depois de ler o manifesto mini de Stephen Hessel, a favor da luta e açao, muitas coisas ficam no ar. Hessel defende a liberdade do povo palestino contra o que 'chama' opressao israelense. Diz no seu manifesto que entende 'o povo palestino' e que o uso da violência é 'entendido' contra o opressor. Hessel, revolucionário, lutou contra os alemaes da época nazi, sendo preso e quase morto 2 vezes. Ajudou a escrever a declaraçao universal dos direitos humanos, sendo a sua luta um exemplo. Mas o falho nesse mini livro é comparar a situaçao palestina com o holocausto. Nao entra em alguns detalhes básicos, como os atentados diários que sofrem os israelenses (também inocentes) e a situaçao como mínimo primitiva da direitos humanos do gênero feminino no mundo árabe (algo que ele mesmo ajudou a redatar e que simplesmente esqueceu de redatar no livro). Por outro lado toma o exemplo de Gandi para a nao violência, como se no capítulo anterior nao tivesse 'apoiado a luta' revolucionária...É curioso ver as contradiçoes num pequeno livro que 'acelerou' o movimento Indignaos de España...Outro dia saiu na telinha o caso de uma moça jovem que ficou 10 dias na prisao por conduzir um carro na Arábia Saudita. Seria esse uma exceçao ou uma regra? Nao há dúvida que nao é uma exceçao e que muitas mulheres no mundo árabe nao podem viver com direitos mínimos, mesmo em países árabes mais 'democráticos'...Hessel tem sem dúvida o que os sábios latinos chamavam auctoritas, poder e prestígio pelo seu passado, mas nem tudo na vida se justifica, se faltam peças no quebra-cabeças de direitos humanos...
jueves, 2 de junio de 2011
A PEPINADA DOS ALEMAES...
A possível toxicidade remitada contra o pepino español, despois negada de forma leve pelo governo alemao, coloca em jogo algo que mundialmente sabemos insconscientemente que existe: os estereotipos. A alemao típico, para um español, e tb para boa parte do resto dos mortais, é de trabalhador, organizado e eficiente. Mesmo que existam alguns pouco trabalhadores e nécios (conheci alguns de pura cepa), o estereotipo os protege. O erro cometido apressuradamente pelo governo alemao (a culpa afinal era sua e nada foi dito) mostra que mesmo os governantes sao pessoas normais, que se afetam por estereotipos e falsas idéias dos demais. Quantas vezes escutei de forma eufemística que os brasileiros nao trabalhavam e que eram preguiçosos (chamando claro aos latinos para aparentear que nao entravas na festa) ou que as mulheres eram libidinosas. Mesmo que muitos catalaes nao se consideram españóis e se consideram por ende diferentes (melhores claro está, ninguém se considera diferente por piores) generalizam muito sobre os outros povos: que os latinos isto, que os franceses aquilo, que os ingleses outra coisa. Lembro da minha amiga Vanessa quando dizia que o europeu necessita classificar, sistematizar os outros, mesmo que claro, que os beneficie. Mas, as vezes o guspe cai na testa, quem tanto usa estereótipos por ignorância ou desconhecimento, sofre as consequências dos 'considerados' mais fortes..
miércoles, 1 de junio de 2011
PARTIDO SOCIALISTA ESPAÑOL...
Diante das últimas derrotas eleitorais em España, toca uma auto-relfexao das perdas e dívidas. O PSOE, partido que sempre representou a vox populi hoje está em vias de ser oposiçao. Em entrevista ao canal Tele 1, marcadamente socialista, um dos 'barones', chefes do partido, nao conseguiu responder nenhuma pergunta se comparamos com a clareza das mesmas. Quando ao final se perguntou pela autocrítica do partido necessária e ausente frente aos últimos resultados, o 'barón' dice 'Claro que estamos fazendo autocrítica' e ponto, sem explicaçoes adicionais. Hoje a prensa tem um poder ineludível, nao há força que a possa derrubar e é através desse meio que as respostas sao cruciais, o que significa que todos os partidos estao diariamente presentes. Por outro lado a sua presença nao serve muito porque sabemos como funciona, pao e circo. Os velhos discursos de que estamos melhorando ou as estatísticas relacionadas de duvidosa realidade, nao convencem. O povo quer trabalho, comida, segurança e residência. Se os mesmos nao vêem ou pior perdem as mesmas, nao há 'paella' para todos e a insatisfaçao cresce. A autocrítica, algo sempre árduo e difícil para as pessoas públicas, é urgente. Erramos. Ponto. A eleiçao já está perdida. Mas claro, os regulamentos do partido que mantém a vida boa para uns poucos nao deixam que a confiança seja um simples 'perdoname'...
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