lunes, 4 de abril de 2011

O princípio do fim da universalitas médica

Os recortes pressupostários à saúde em Catalunha sao extratosféricos. Se espera um recorte de mais de 20% de gastos nesses meses que nos esperam e a famosa saúde para todos do sistema sanitário espeñol, com niveis de atençao de ponta em toda a Europa, tambaleiam. A situaçao se complica tanto que se esperam anulaçoes em massa em número de cirugias, atendimentos, somente restando casos urgentes e doenças acuciantes. Um problema claramente estrutural (permissividade exagerada do sistema, uso indiscriminado de especialistas, provas sem critérios científicos mais que o 'derecho' do paciente) gerou uma crise no sistema que provavelmente se resolverá com cortes e mais cortes em tecnologia ou em professionais sanitários. O antigo governo socialista tem claramente a culpa dessa permissividade social, desse desleixo e ignorância da real funçao médica na sociedade em que vivemos. Como diziam na minha época de criança: se a cura aos argentinos se resolvia somente ao ver a quantidade de clínicas psicanalíticas e livrarias, no Brasil a farmácia era a nossa banca de revistas. E em catalunha a consulta médica o seu divá de ineficiência estrutural...

ALTA CULTURA...UM OBJETO OU UMA OBSESSAO IRREAL

Uma das primeiras vezes que lí sobre a alta cultura foi no livro para adolescentes ' o mundo de Sofia'. Nele se dava uma explicaçao básica mas talvez imprescindível do uso da filosofia na vida diária e as distintas correntes que se seguiram nos séculos, desde a fundamentaçao grega até os dias atuais. Me lembro de um encontro particularmente interesante, de um amigo español, quando na casa deste ví uma coleçao de CDs de música clásica. O mesmo me disse, 'gosto muito de música clássica'. A considerada alta cultura sempre foi e segue sendo um nivelador social. As pessoas nunca admitem que a leitura do último livro nao foi um best seller, nunca admitem que assistem a programas populares de varietés, como nunca admitem que nao tendem nada de óperas ou música clássica. A alta cultura, essencialmente dominante na Europa renascentista foi rapidamente relacionada com poder intelectual, com clarividência, com inatismo intelectual de berço. Já nem me lembro as vezes que tive que escutar de pessoas sabidamente ineptas as afirmaçoes contra os americanos sem cultura. Ou dos jóvens (eufemismo claro) das culturas do novo mundo. Nivelar a cultura geral foi tema recidente nas propostas eugênicas do passado. Hitler as usou a diário para justificar a elevada cultura social alema e o domínio ário sobre os demais. Mas ao mesmo tempo foi um pintor fracassado e um intelectual obtuso. Os fantasmas da alta cultura seguem vigentes na velha europa, mesmo que diretamente já sao propiedade seleta de uma pequena parcela mundial que justificam o seu domínio intelectual em termos grandiloquentes e hoje sem sentido...

O UNIFORME ESCOLAR: IGUALDADE OU REPRESSAO

A secretaria educativa da comunidade catalana quer unificar o uniforme nas escolas públicas. A idéia que seria do mais comum em todos os colégios privados ou de elite, está em guerra no referente ao sistema público español. Muitos professores argumentam que seria um ato de repressao, o que significa que os alunos devem decidir o que levam na aula. Provavelmente influenciado pelos anos do franquismo, os mesmos devem relacionar uniforme com ditadura e assim consequentemente repressao. Como dizia o escritor Coutinho, a esquerda às vezes parece ver uma ideologia de classes em tudo o que vè e nesse caso, algo que eliminaria uma diferença é vista como algo retrógrado. O ambiente escolar mudou de figura com a entrada da internet na sala de aula, com os celulares (imagino o complicado que deve ser para os professores), com as diferenças de religiao ou cultura em geral, que o simples uso de uniforme gere tantos pensamentos absurdos e incoerentes é uma loucura. Pois sim, bem vindo aos absurdos da atualidade...

domingo, 3 de abril de 2011

OS PAPÉIS SOBRE A AMNISTIA BRASILEIRA

Nao houve na história guerra mais paricida que a guerra civil española. Muitas pessoas se delatavam e entre irmaos houve entregas brutais entre os que eram partidários e os que nao eram. Até hoje é um assunto pendente e cruel, e nao falta mais falar sobre o caso Garzón, que foi 'linchado' politicamente por intentar colocar os pingos sobre as ies. Outro dia lendo os jornais brasileiros, vi que uma manisfestaçao a nivel nacional dos estudantes de história intenta que se desvele os papéis da ditadura. Ao estudante universitário, o papel de revolucionário é crucial. Sao jóvens e provavelmente somente sao escutados se se rebelam. Mas o assunto da amnistia nao é jogo de crianças. Todos os conflitos que envolvem o termo amnistia devem ser bem cuidados. Que digam os judeus pos holocausto que tiveram que conviver com os sequazes que os delataram, com os españóis que sobreviveram à perseguiçao ou ao conflito apartheid da África do Sul. A aministia nao é o melhor método sempre, mas evitou em quase todos os conflitos o extremismo e o caos. Voltar a tocar as feridas é um ato humano e perverso ao mesmo tempo. Humano porque existem maes, agora vovòs que viram os seus filhos desaparecerem sem lembretes, sem chamadas, sem despedidas emotivas. Mas também perverso, porque a abertura nunca é imparcial. Muitos apareceram nas televisoes clamando guerras inexistentes e prisoes sem julgamento coerente. E as consequências de divisao social devem ser pensadas profundamente num país cheio de incongruências e desatinos mediáticos. Nao é decidamente 'juguete' de crianças...

OS DISLÉXICOS GANHAM DIREITOS

Me lembro da primeira vez que estive em Santa Cruz; as ruas estavam completamente arrumadas, nao havia sujeira na entrada da cidade e o centro estava totalemente organizado. Mas talvez o que mais me afetou foi a extrema organizaçao e eficiência das crianças da APAI. Os jóvens que padeciam Síndrome de Down exerciam tarefas e trabalhavam em centros de formaçao professional que somente talvez na Alemanha estivessem tao bem organizados. Ontem saiu na La Vanguardia, que as crianças com dislexia poderao dispor de um trato mais especial durante a selectividad (vestibular español). Terao mais atençao através de tarjetas de identificaçao especial, espaço e tempo reservados e assessoramento direto. As grandes vitórias conquistadas na Europa sempre foram em benefício dos mais necessitados de cuidados especiais. Os disléxicos ganham assim um espaço cívico que os reconhece e os dá direitos de ter uma formaçao justa e de acordo com as suas necessidades. Bravo España, sao as pequenas coisas que transformam a sociedade....

sábado, 2 de abril de 2011

ZAPATERO NAO SEGUE

Zapateiro nao concorrirá nas próximas eleiçoes. Distinto de Lula que praticamente reelegeu Dilma, Zapateiro deixa a batata quente nas maos do partido. Valorado como o pior presidente ao final do mandato, Zapateiro será lembrado provavelmente pelos maus atos, pela inaçao em momentos tormentosos de crise e de esquecer a funçao crucial de um presidente quando o barco está afundando: tomar 'el toro por los cuernos', algo decidamente español. Rubalcaba, sério político de esquerdas será o provável timoneiro desse barco cheio de imperfeiçoes. Mesmo que foi através de Zapateiro que España melhorou em saúde pública com melhores salários e tecnologia ao serviço social, liberdades e igualdades de gênero incomparáveis e direitos à minorias, tais matrimônio homosexual e legalizaçao de mais de 500 mil estrangeiros, a crise mostrou a cara mais inativa de uma pessoa com boas intençoes e pouca açao. Mas devemos agradecer a Zapateiro antes de tirar a primeira pedra...a história é sórdida quanto falta dinheiro no bolso e se esquece dos que perderam sendo dignos como seres humanos...

viernes, 1 de abril de 2011

IMERSAO LINGUÍSTICA E ESTATÍSTICA....

De acordo com o IEC, o catalao cresceu nos últimos anos em Catalunha. 95% entende, 77.5% se sente capaz de falar e 39% de escrever. Essa estatística seria verdadeira, mas esconde alguns falhos estruturais talvez importantíssimas. Se sendo de uma instituiçao que preferencia o catalao perguntamos aos entrevistados se sabem catalao, é obvio que o análise subjetivo será falho. O mesmo com as outras perguntas. Nao creio que 100% entendam o catalao, e se entendem de que serve senao sabemos em que nivel estamos falando. Muitos brasileiros que conheço, por exemplo, no orkut ou facebooks, dizem que entedem o español, mas de verdade entendem o idioma de Cervantes? Há alguma prova real dessa sapiência? As estatísticas servem sempre quando se apoiem em metodologia específica e com provas objetivas de proficiência...Claro que fazer um prova de nivel nao é precisamente o que convem nessa reportagem sociológica....já sabemos